A Bélgica, uma introdução

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Bom dia queridos leitores da Immagine!

A partir deste post estarei escrevendo sobre a Europa. Neste momento estou morando na Bélgica, mas de vez em quando tento aproveitar o fim de semana para ir num outro país e quando for assim, levarei vocês junto comigo!

Mas primeiro, a Bélgica. Dá para dizer que conheço bem este país. Nasci aqui e morei na cidade de Poperinge, uma cidade bem pequena perto da fronteira da França, até o final do meu ensino médio. Depois ainda morei em Leuven, Bruxelas, Ghent, trabalhei em Bruges e agora estou morando novamente em Bruxelas. Dedicarei uns postes para todas estas cidades, mas começarei a contar um pouco sobre a Bélgica mesmo.

No passado percebi que várias vezes que a Bélgica não entra no roteiro de turismo dos brasileiros. Ouvi bastante histórias de brasileiros que foram para Paris, Amsterdam e Londres, todos as capitais dos países aqui perto, mas que pulavam a Bélgica. Tudo bem que é muito fácil de pular, de tão pequeno que somos, mas isso não quer dizer que não temos coisas bonitas para ver!

Mas agora já percebi que mais e mais pessoas começaram a dar uma passada em Bruxelas ou em Bruges. Creio que a nossa fama da cerveja boa e chocolate gostoso está ajudando bastante. E ainda teve o Tomorrow Land que ajudou a colocar a Bélgica no mapa. Depois de lançar o festival no Brasil, que originalmente é daqui, ouvi mais e mais brasileiros falar, ‘ah sim, a Bélgica, de onde vem o Tomorrow Land’. Não é o meu tipo de música mas ainda temos muitos (muitos mesmo!) outros festivais no verão.

Mas antes de falar das coisas boas e lugares bonitos aqui da Bélgica, deixe eu explicar um pouquinho sobre este país que tanto tempo ficou um pouco invisível no mapa turístico. Tenho  certeza que o tamanho do país ajudou a escondê-lo: a Bélgica tem somente 30.500 km², ou seja, é 280 vezes menor do que o Brasil. Cruzando o país em vista aérea do oeste para leste, ou seja, da fronteira francesa para a fronteira holandesa, são somente 200 km. Cruzando do ponto mais norte para o sul, onde fica o país Luxemburgo, dá 300 km.

Não é surpresa então que temos uma população bem pequena, de somente 11 milhões de pessoas. O que é pouco, mas na verdade muito para um superfície tão pequeno, temos uma das densidades de população mais alta da Europa. Algo que resultou num problema bem grande de trânsito: tantas pessoas que vão de carro para o trabalho que nos horários de pico parece que a Bélgica inteira vira um engarrafamento.

Isso que o nosso transporte público não é ruim, bastante pessoas usam o trem para ir ao trabalho (é bem comum  trabalhar numa outra cidade de onde mora), mas na Bélgica ainda é comum de ganhar um carro do trabalho e assim aumenta o problema de trânsito. Mas para turistas que querem ir visitar outra cidade, recomendo  os trens que são bem confortáveis e para quais as passagens ida e volta durante os fins de semana ficam metade do preço.

Falando em ir visitar outras cidades, belgas têm uma noção de distância completamente diferente dos brasileiros. Por exemplo, como estudante é normal de ir estudar em outra cidade (já que somente as maiores cidades tem faculdade), ficar numa república perto da faculdade e nos fins de semana voltar para a casa dos seus pais (geralmente para levar as roupas sujas). Eu fui estudar em Leuven, duas horas e meia de trem da cidade dos meus pais. Eu tinha acabado de voltar do Brasil e achei esta distância bem tranquila, porém, os meus amigos me declararam de louca. Agora já morando um tempo de novo na Bélgica tenho que me acostumar de novo quando um goiano me fala: “Vou para Brasília, é rapidinho”. Sim claro, somente 3hs, o tempo que precisa aqui para cruzar o país inteiro…

Relacionado a este tamanho ridiculamente pequeno, a Bélgica tem duas características um pouco diferente:

As regiões e comunidades

A primeira é que a gente, mesmo já tão pequeno, ainda decidiu a se dividir em duas partes. Isso não foi totalmente sem motivo: originou da diferença de língua entre a norte, que fala holandês, e o sul do país, que fala francês. Ou seja, no meio do mapa da Bélgica tem uma fronteira, que por um lado eles falam holandês, e cruzando a fronteira, tudo está em francês. O norte chama-se Flandres, e a região sul chama-se Valônia.

 

E claro, as duas partes não se gostam. No passado a Valônia foi a região mais rica, por ter minas, mas nas últimas décadas a Flandres está mais rica. A Flandres agora tem mais habitantes (6 milhões), mais empresas, tem os portos (a Valônia não tem costa, a Flandres sim) e simplesmente tem uma economia maior. O que faz os habitantes da Flandres reclamar que os nossos impostos estão sendo usados para ajudar as habitantes de Valônia (que de vez em quando são sendo chamados de ‘preguiçosos’). Os últimos anos parece que este assunto sumiu um pouco da agenda political, mas não foi tanto tempo atrás que o povo gostava de discutir a possível divisão do país em dois países.

A capital, Bruxelas – para ficar neutro – ganhou as duas línguas, tanto o holandês quanto o francês como língua oficial. Ou seja, toda a comunicação, por exemplo no transporte público, ou os nomes das ruas, são nas duas línguas.

Mas claro, duas partes mais uma capital com duas línguas oficiais, não seria suficiente não. Ainda precisávamos de pegar um pedacinho da Alemanha depois da segunda guerra e assim não temos somente duas regiões com outra língua, mas três! Muitas vezes é ignorada por ser uma parte tão pequena, mas  o Alemão é também uma língua oficial da Bélgica.

Esta estrutura resultou numa composição political bem complicada, com não menos do que 6 parlamentos! Olhe só: as regiões que têm uma língua diferente foram chamadas de ‘comunidades’, ou seja, uma comunidade holandesa, uma comunidade francesa e uma comunidade alemã. Além disso a Bélgica foi dividida em partes conforme as atividades econômicas, que resultou em três regiões: a região Flandres, a região Valônia (que contém a comunidade francesa mais a comunidade alemã) e a região de Bruxelas capital. E acima de tudo isso, tem o estado federal. Tudo isso daria 7 governos, mas a região Flandres, que territorialmente é igual à comunidade holandesa, decidiu de combinar o governo da região com a da comunidade. E assim temos 6 parlamentos… e bastante belgas que são politicos.

As províncias

E não é somente esta divisão que temos. Além destas regiões e comunidades e o capital, também somos divididas em províncias. Temos 10 províncias no total, 5 em Flandres e 5 em Valônia, e ainda temos a Bruxelas, que é separado (comparado com a Brasília). E, mesmo que todas estas províncias sejam muito pequenas, cada uma é bem diferente da outra, começando com um próprio dialeto e sotaque. E não estou falando de algumas outras palavras -do jeito que no Brasil cada região tem por exemplo uma outra palavra para mandioca- mas de uma língua totalmente diferente. Eu sou da província mais oeste da Flandres, e quando falo o dialeto de lá, alguém da província mais leste simplesmente não consegue me entender. Até dentro das províncias praticamente todas as cidades tem um próprio dialeto, de qual o sotaque e algumas palavras são diferente da cidade do lado (10 km de distância).

 

Bem, isto foi só uma pequena introdução sobre a Bélgica, mas agora pelo menos, o dia que vierem para a Bélgica, entenderão quando em uma cidade ouvir o francês e em outra cidade escutar o holandês…

No próximo post mais sobre este país pequeninho!

Até já!

Sou a Veerle, belga de nacionalidade, mas um pouquinho brasileira de coração, tanto por interesse profissional (sou graduada em Negócios Internacionais) como por lazer. Tento viajar o máximo possível e sempre conhecer novas culturas e novos lugares. Além de viajar, gosto de música, ler e yoga.