1808

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 “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. ” É com esta frase curiosa estampada na capa que 1808 aguça a curiosidade e apresenta a nossa história, muito mais interessante do que aquela contada na escola.

Autor: Laurentino Gomes

Editora: Planeta do Brasil

Páginas: 408

Preço: R$30,00 – 40,00

 

“As pessoas fazem a História, mas raramente se dão conta do que estão fazendo” Christopher Lee, This Sceptred Isle – Empire.

Laurentino Gomes nos presenteou com três obras incríveis que contam um pouco mais sobre a origem do Brasil como colônia, país, governo e população: 1808, 1822 e 1889. Hoje escrevo a vocês sobre o primeiro livro do qual recebeu o prêmio Jabuti, o mais tradicional de literatura no Brasil em duas categorias: melhor livro-reportagem e livro do ano de não ficção. E da Academia Brasileira de Letras, a obra recebeu o prêmio de melhor ensaio, crítica ou história literária de 2008.

O livro é resultado de mais de dez anos de investigação jornalística, segundo o autor, e no decorrer de sua leitura terá esta comprovação por meio da transcrição de cartas entre portugueses que vieram com a corte para o Brasil com seus familiares que permaneceram em Portugal, além de relatos de viajantes em seus diários. Tudo é muito jocoso, afinal erámos uma colónia extrativista e apenas isto. Algumas passagens são até engraçadas:

“Koster deixou ainda uma descrição detalhada do modo de vida no interior nordestino. ”Os sertanejos são muito ciumentos e há dez vezes mais mortes por este motivo do que por qualquer outro”, relatou. “Essa gente é vingativa. As ofensas muito dificilmente são perdoadas e, na falta de lei, cada um exerce a justiça pelas suas próprias mãos. […]”.”

Se temos uma leitura leve e até por muitas páginas cômica descrevendo as impressões dos portugueses para com os costumes de sua colônia, você terá em um dado momento um capítulo dedicado a escravidão.

O Mercado do Valongo no Rio de Janeiro é um ponto que o Autor chama atenção. O maior entreposto negreiro das Américas – das Américas! Para enfatizar – sumiu do mapa da cidade do Rio de Janeiro sem qualquer referência histórica, placa, informação turística ou monumento. O que se sabia era que a Rua do Valongo, situada entre os bairros de Gamboa, da Saúde e do Santo Cristo mudou de nome. Hoje se chama Rua do Camerino. Ao final dela, em direção à Praia Mauá, uma ladeira chamada Morro do Valongo, a última referência geográfica do maior entreposto negreiro do nosso país¹.

O retrato desta realidade é claro: chegavam entre 18 a 22 mil homens, mulheres e crianças da África por ano apenas no Mercado do Valongo. Esta visão para os viajantes estrangeiros – autorizados a visitar o Brasil somente após a vinda da corte portuguesa – com as próprias palavras do Autor “sempre uma visão constrangedora”:

“Os navios negreiros que chegavam […] um retrato terrível das misérias humanas. O convés é abarrotado por criaturas, apertadas umas às outras tanto quanto possível. Suas faces melancólicas e seus corpos nus e esquálidas são o suficiente para encher de horror qualquer pessoa não habituada a este tipo de cena. ”

Entre o caos de uma colônia em foco, tínhamos no meio deste turbilhão um Príncipe Regente muito incomum: tinha medo de siris, caranguejos e trovoadas. E assim o capitulo 13 nos agracia com a personalidade de D. João, um dos capítulos mais engraçados na minha opinião. Como por exemplo, é do senso comum que portugueses (antigamente) eram avessos ao banho e no caso de D. João esta situação chegava a um estado crítico ao ponto de os historiadores relatarem como um “homem desleixado com a higiene pessoa” e, “[…] a única notícia que se tem de um banho de D João nos treze anos em que permaneceu no Brasil […]” foi devido a uma picada de um carrapato que inflamou e casou-lhe febre. A recomendação médica era banho de mar para que o iodo marinho auxiliasse na cicatrização.

No fim D. João não entrou no mar, ele tem medo de crustáceos, esqueceu? Mas mandou construir uma caixa de madeira, onde ele mergulhava, e claro, permanecia por alguns minutos com a caixa imersa e sustentada por escravos. O que podemos concluir que não era bem um banho, estava mais para um caldo nas águas salgadas. (Risos)

O livro desta semana é acima de tudo uma leitura de informações peculiares, como o hábito curioso de D. João VI carregar coxas de frango nos bolsos. Com uma escrita que foge do estilo livros de História, ele nos conta sobre a nossa história sem percebermos que estamos aprendendo história. Fez sentido para você?!

Com relatos como os acima citados, ora engraçados, ora um tanto sérios, aprendemos um pouco mais sobre o Brasil. Ganhei os três livros de Laurentino de presente de aniversário <3 mas, só li o primeiro até hoje. Os outros dois estão na meta e na promessa feat lista 2017.  Quem sabe até o fim do ano aparece o próximo aqui na coluna. 😉

 

¹ O livro foi lançado em 2007. De lá para cá, muita coisa mudou quanto a importância histórica do Mercado de Valongo e a recuperação do mesmo.

 

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Teimosa de doer e de personalidade forte, eu sou a Caroline e evito pronunciar meu sobrenome completo porque nunca acertam. Amo demais o meu trabalho e a rotina louca que todos os meus compromissos me proporcionam. Livros, gato, whisky, vinho e o churrasco do papai são minhas paixões.